O ex-diretor da CIA, Leon Panetta, deixou claro que estava cético quanto à razão alegada pelo presidente Donald Trump para trocar de avião na sua viagem de regresso da Turquia, durante a Cimeira da NATO desta semana.
Na quarta-feira, o repórter do New York Times, Shawn McCreesh, perguntou especificamente a Trump por que razão não estava a voar no seu novo e prezado Air Force One de volta para os EUA, apesar de Trump ter elogiado o presente de 400 milhões de dólares da família real do Qatar.
Panetta argumentou que o avião de origem estrangeira constituía uma clara ameaça à segurança.
«Sempre me preocupei com questões de segurança relacionadas com este tipo de avião construído por outro país, independentemente do facto de… podermos ter boas relações com esse país», disse Panetta à apresentadora da MS NOW, Katy Tur, na quarta-feira. «A verdade é que, do ponto de vista da segurança, é necessário estar preocupado com o facto de haver esforços para tentar recolher informações. Tenho a certeza de que reviram todo o avião, mas, como alguém envolvido com a segurança, estaria muito preocupado em garantir que a segurança do presidente está protegida. A única forma de o fazer é tendo esse avião fabricado nos Estados Unidos e transportando o equipamento fornecido pelos Estados Unidos.»
«Não acho que haja qualquer dúvida de que existem preocupações de segurança aqui», continuou Panetta. «Quais são, não sabemos, mas tenho a certeza de que isso está envolvido.»
«Já ouviu falar de uma situação em que o presidente troca de avião desta forma?», perguntou Tur a Panetta.
«É um avião totalmente novo», retorquiu Panetta. «Se houver um problema de manutenção num avião totalmente novo, isso levanta ainda mais preocupações. Não acho que se trate de manutenção.»
«Isto é uma história de cobertura de algum tipo para tentar enviar um avião para a Grã-Bretanha e fazer com que o presidente regresse no avião antigo. Aquele era o Air Force One. Há mais coisas a acontecer. Acho que a guerra no Irão pode ter algo a ver com isto. Ele está na Turquia. Fica mesmo ao lado do Irão», disse Panetta. «Tem de haver algumas preocupações reais com a segurança do presidente. Até o próprio [Trump] admitiu basicamente a preocupação com a sua segurança pessoal. Assim, por todas essas razões, acho que essa decisão foi tomada para tentar proteger a segurança da presidência.»
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